quinta-feira, 21 de junho de 2012

Olhos Fechados


Distante das luzes da ilusão moderna
Refaço as verdades, que me tentam vender
Em vez de moscas e de putrefação
Encontro uma luz que clama pelo brilho dos céus
Ergo os olhos então
E vejo o que não quero ser:
O homem restrito a poucas visões
(Em sua mente há grilhões?!)
Encaro este verme da atual existência
E deparo com as portas estreitas de sua mente encarcerada
Tento guiá-lo pelas largas passagens, onde campeia o amor
Mas nada consegue mover o que este mundo fossilizou
Este meu amor
Revela o que não querem ver:
O homem completo em suas paixões
(Não lhe cabem grilhões...)

Juljan Lima Palmeira – 21/06/2012

quarta-feira, 20 de junho de 2012

300


Off line
Virtualmente morto
É o tempo que me obriga a deixar de ser

O que é o amor
Se não o desespero de perder?
A necessidade de não ser infeliz

Nada de novo
Derrotado mais uma vez
Em um mundo de deuses e de super-heróis

Nem mesmo as valsas de Viena
Nem mesmo o colapso das funções vitais
Nada me trará de volta a quem fui

Sou empírico
Lembranças não me inebriam
A imagem do cigarro não é o mesmo que fumar

Juljan Lima Palmeira – 20/06/2012

quinta-feira, 31 de maio de 2012

A simbologia dos anos que se arrastam como estrelas cadentes (para Gonzaguinha)


As melodias que envolvem meu espírito
E que me fazem brincar com os significados
Me conduzem ao meu mundo de criança
Quando sou rei
E tenho uma janela aberta para tudo que sempre quis
Vejo razão em todos os sonhos
Em planetas distantes
E sei que a vida não me transformará em não-ser
E que este é o momento de escrever aquilo que sinto
Menino falando a homens
E não poeta laureado falando a marionetes
Sei que muitas coisas me preocupam
Mas muitas outras me aliviam
Talvez a principal delas
Seja o amor que sinto por você, Minha Senhora,
Talvez seja esta a minha libertadora verdade
A verdade que me deve conduzir na volta ao mundo dos homens
Neste mundo, ainda que o infante padeça,
Sua pureza há de triunfar
Passam-se os anos
Endurecem-se os corações
Mas o menino está lá
Sobre seus castelos, senhor de seus domínios,
Suavemente ninado
Pelo Amor...

Juljan Lima Palmeira
31/05/2012

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O braço de ouro


Acordei no meio da noite e vi que as paredes me interrogavam. Não estava preparado para tantas perguntas e por isso abri a porta, o portão e saí pela rua. Nada de interrogações. Quando virei a esquina me deparei com um braço de ouro maciço que se encerrava em uma mão em forma de súplica apesar de sozinha. Segui pela rua e passei por um bar. Havia uma mesa com algumas pessoas então me aproximei e me sentei. Nada. Não conseguia perceber em suas feições se eram homens ou mulheres. Eram pessoas somente. Não falavam, não bebiam, não comiam, não se moviam em absoluto. Passei algumas horas a observá-los e voltei a pensar nas paredes de minha casa e acreditei já estar pronto para responder às suas indagações. Despedi-me das pessoas na mesa, mas não obtive resposta. Na volta para casa, o braço de ouro estava no mesmo lugar. Apanhei-o e surpreendi-me com o seu peso. Era bem leve para um objeto feito de um metal maciço. Voltei ao bar e coloquei-o sobre a mesa entre as pessoas com quem estivera. Fui para casa. Quando abri o portão, a porta e entrei... Silêncio. As paredes não tinham mais perguntas. Adormeci ao som de pássaros e buzinas de automóveis.

Juljan Lima Palmeira
11/04/2012

De flores e de sonhos

I

A paisagem na janela
Que me confunde
Na qual me escrevo sem cessar

As doses virginais de pecado
Que me esquecem
Nas quais te enxergo a deslizar

Façam-se os sonhos e as flores
Do mesmo barro fúnebre
Onde seu rosto sangra por mim

Misturem-se os sons
Dos acordes dissonantes da sua ilusão
E dos rios de vileza
Que confluem para o meu coração

Existe mais verdade
No sangue daquele em que cospem
Do que em toda a soberba
Que muitos vivem para professar

II

Não te quero porque te amo,
Te quero porque preciso de mim.
É a mim que vejo quando te toco,
É a mim que espero em teu olhar.

Quando “Eu” não fores mais,
Não mais haverá amor.
Haverá pena, sofrimento, solidão
Envolvidos por tecidos finíssimos (de desamor).

Não te ressintas de pessoa tão lamentável:
Sou apenas um sonho sem sonhador,
Uma flor sem jardim...

Sou fruto da insolúvel equação
Que mistura amor e matéria barata:
Mais possuo, menos sou!

Juljan Lima Palmeira
Em: 11/04/2012