sexta-feira, 15 de julho de 2016

O passatempo dos doentes mentais

Eu gosto de ver
Seu sorriso 
De manhã 
E me sinto 
Um deus 
Quando estou escrevendo
Talvez você diga
Que eu sou radical
Mas ninguém pode deter
As ondas do mar
Eu sonhei
Com uma mulher
De cabelos loiros
Ela me disse
Que gostava
Do que via
Apesar de ela
Não estar olhando para mim
Acho que isso
É algo legal de se dizer
Às vezes
Eu acho que estou ficando louco
E até acho normais
As imagens
Na televisão
Talvez
Se eu disser
Que já li um livro
Seja bom
Talvez
Eu seja mesmo
Um doente mental
Quando saio na rua
Todos me olham estranho
E alguém vai dizer
Que isso é paranoia
Na verdade
As ruas
Não são
Para
As pessoas normais
Na verdade
Pensar
É o passatempo
Dos doentes mentais


Juljan
Escrita lá pelo final dos 1990.
A lua e a água gelada ainda comovem, Carlos. Gauchemo-nos, camarada.

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Fios de janeiro

E então o teu rosto é o resto que me faltava encontrar:
Roto em desespero esperei-te abrigar.
Te prendi com os meus fios de janeiro;
Me tornei teu espelho sem fim;
Os teus lábios alados,
Calados, afligem,
Me fazem sonhar.
Fui além do que dizem meus sonhos:
Encravei meu orgulho em teus olhos
(When will you be alone again?)
Nos teus pés que te fazem voar
Nos teus lábios que escondem o mar
Mergulhei com meu medo de errar

Juljan - em algum momento entre 2013 e 2014

quinta-feira, 3 de abril de 2014

A verdade liberta sim, mas tem que ser a “sua” verdade

           Aceitar você como você é. Muito difícil em uma época na qual as padronizações estão cada vez mais em voga.
            É possível que cada um tenha a sua verdade? Acredito que sim, desde que suas verdades não sejam ofensivas às verdades do outro. E mesmo que sua verdade surja de um bilhão de fios textuais, históricos, sociais, ideológicos e todo o blá-blá-blá que já conhecemos (por mais real e importante que seja).
            Estamos cada vez mais imergidos em uma espécie de “verdade coletiva”, algo que me lembra “Subdivisions”, do Rush (be cool or be cast out). Os grupos são definidos por comportamentos ideais e todos os que fazem parte de um grupo específico devem se enquadrar no “ideal” (Nada mais romântico, não acham?).
            Um ponto intrigante é o seguinte: existe vida fora do ideal. Obviamente, algumas práticas são obrigatórias, impostas pela necessidade de sobrevivência. Mesmo nessas práticas, cada um tem o direito de escolher seu comportamento subjetivo (repito: desde que não afete o outro).
            Encontrar o seu lugar no mundo, peneirando as verdades coletivas e adequando-as à sua existência enquanto sujeito e objeto da realidade pode ser a chave para uma vida mais serena.
            Haja saúde.



quinta-feira, 11 de julho de 2013

Respeito


            A palavra “respeito” em inglês (respect) é utilizada por rappers americanos ao final de seus versos que falam sobre as agruras de uma vida de exclusão social e preconceito. Talvez uma das palavras mais em falta no vocabulário da humanidade, em toda e qualquer língua, há muito tempo. Os atuais protestos que ocorrem em todo o Brasil são uma prova disso.
            Não é difícil encontrar pessoas que recriminem os protestos e paralisações. Uns vem com aquela conversa de que não passam de “protestos políticos” como se isso fosse um demérito. Como assim? Eles são políticos mesmo. É a política brasileira e a sua prática degradante e excludente que fez com que as coisas chegassem a esse ponto. De fato, as massas excluídas demoraram tempo demais para soltar seu grito de revolta. Outros dizem ou comportam-se como se fossem apenas manifestações e paralisações orquestradas por preguiçosos e vagabundos, que não querem trabalhar. Ora, é melhor você ir ao seu trabalho e voltar normalmente à sua casa ou enfrentar cassetetes e bombas de “efeito moral”?
            É óbvio que devemos considerar de onde vêm as críticas aos movimentos sociais: elas partem de uma elite econômica e “intelectual”, acomodada em sua vida de muitas oportunidades e, logicamente, satisfeita com a situação em que se encontra. Só não entendo qual é a glória em ser vencedor em uma corrida tão desigual, em que os membros dessa elite triste e vergonhosa pilotam um “Red Bull” do Vettel e o resto do povo vem montado em um burrico velho e maltratado. É típico do déspota querer ser o rei em uma terra devastada. Ainda se fosse uma elite produtora de pensadores que se ocupassem em melhorar as condições do seu país como ocorre em nações desenvolvidas da Europa (que a elite daqui tanto idolatra), mas não: é um grupinho de gente pequena e mesquinha, que quer ter e ser apenas para pisar o seu semelhante, vomitando sua erudição e seu poder. Bater em quem é fraco é muito bom. Queria ver se o povo tivesse as mesmas chances que vocês, gente sebosa.
            Há uma fala muito interessante no texto de um dos livros da religião trazida à América e imposta pelos europeus: o personagem pede a seus seguidores que amem seu próximo como a si mesmos. Seja lá quem disse, sempre foi uma frase que me fascinou. É algo que sempre procuro fazer e digo a vocês: é muito difícil. Procuro pelo menos entender e respeitar a todos, desde que seu comportamento não seja agressivo para com o outro, como é caso da postura assumida pela elite supracitada.
            Todos aqueles que estão sendo lesados em seus direitos básicos devem prosseguir em suas manifestações e exigir as mesmas condições de crescimento que são dadas aos grupinhos de uma elitizinha medíocre e que nada tem feito para o crescimento do seu país. Respeito, gente ruim, é bom e o povo o quer.
            Respect!

Foto: google images

Juljan Lima Palmeira
11/07/2013

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Quem não sonhou em ser um jogador de futebol?

          Muitos não sonharam. Eu sonhei. Tinha 12 anos e havia uma novela que tinha como protagonista um jogador de futebol, bonitão, pegador e cujo tema nas cenas de aventura era a música do Indiana Jones. Antes disso, por volta dos 9 anos, a minha brincadeira preferida era jogar bola. E veio a Copa do Mundo de 82, e o Brasil tinha um time de sonho, e eu fiquei fascinado. Quando sozinho, jogava botão no chão do quarto da minha mãe. Tinha quatro times: Palmeiras, Vasco, Fluminense e Atlético Mineiro. Quando não estava sozinho com os meus botões, ficava jogando uma bolinha de tênis na parede e me jogando em cima da cama para agarrá-la como um grande goleiro. Os nomes da época eram Leão, João Leite, Waldir Peres  Narrava jogadas e gols do meu Palmeiras recheado de craques como Maradona, Zico, Sócrates. Na hora do banho, meus amigos imaginários eram os objetos que ganhavam vida: o chuveiro, o rodo, o espelho, os sabonetes, xampus, as cortinas e até os azulejos. Eu era o técnico e eles os jogadores. Passava-lhes instruções, discutia táticas, comentávamos os jogos e comemorávamos as vitórias. Mas eu não era bom com a bola nos pés. Por isso, fui um goleiro razoável e um zagueiro grosso, mas inteligente, que sabia passar a bola e encontrar os companheiros bons de bola em boas posições. Depois veio o handebol e encontrei um esporte em que eu era bom. Acredito que teria sido um bom zagueiro se não tivesse trocado os pés pelas mãos.
            Hoje sou um jogador frustrado, mas feliz, porque se alegra com as jogadas e os gols de craques da vida real e da vida virtual. Mas sonhei. E em algum lugar da minha imaginação de criança que ainda vive existe um jogador de futebol.
            Atualmente muitas crianças pobres sonham em tirar seus pais de uma vida difícil através dos milhões do futebol. Não sabem que eles – os milhões – não são para todos. Mas antes de haver os milhões, eram só crianças que queriam driblar, que imitavam os urros da torcida em suas jogadas, marcavam gols e sentiam a glória de ser um bípede que consegue dominar uma esfera opaca ou colorida em seus pés. Além de termos conquistado o direito natural de nos postarmos eretos, somos capazes de correr e controlar uma bola em nossos pés e fazer com ela uma série de malabarismos: numa visão poética, o futebol é a celebração do ser bípede. Afastado dos milhões se pode ver a poesia do sonho. Os milhões destroem o sonho e é triste ver que muitas pessoas se tornaram céticas e perderam sua visão de poesia e beleza por conta dos tais milhões que, quando vamos ver, chegam a poucos mil e nos contentamos em ter conseguido os trocados que nos mantêm. Não podemos perder o sonho.
            Rubem Alves escreveu em uma de suas belas crônicas que o sonho é o carinho da alma. Concordo integralmente. No sonho somos o que quisermos e enchemos nossos espíritos de gozo. O gozo que não serve para nada além de alimentar o prazer e a necessidade de sonharmos mais, muito além do que qualquer trocado. É preciso respeitar o sonho de cada um. Não respeitar é a mesma coisa que querer impor suas verdades aos outros. Cada um de nós tem suas verdades, faz suas escolhas e deve aprender a viver com elas. Nada de apontar o dedo para o outro e dizer com desdém e sarcasmo: “Não passa de um sonhador”. Acredito que quem age assim nunca teve a chance de sonhar. E no mundo em que vivemos é muito fácil existir quem não teve o prazer sonhar. Mas, se a vida não te deu essa oportunidade, se você teve uma infância difícil e hoje graças a seu esforço conquistou seu lugar no mundo, sonhe. Não em ter uma casa, um carro ou um emprego. Sonhe em ser o que você não pôde ser quando era criança. Sonhe em voar, conquistar o espaço, conduzir o E.T. na cestinha da sua bicicleta. Assim, quando estiver dentro do sonho, você entenderá o sonhador e poderemos nos unir em nossos sonhos celebrando nossa semelhança na diferença. Sim, porque o fato de sermos sonhadores não nos fará iguais. Permaneceremos diferentes em tudo, exceto em uma coisa: o respeito à nossa capacidade de sonhar e acariciar nossas almas.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O corte final e o filho de Ogum


             Sempre há poesia. Ela surge em todos os lugares. Não cabe ao sujeito falante que se submete à linguagem determinar seu surgimento ou sua ocultação. A língua é essencialmente poética e a sua relação com as diversas situações de comunicação acentua seu caráter metafórico e metonímico.
            Quando Roger Waters compôs a canção “The final cut” ele tinha a intenção de produzir efeitos estéticos e estilísticos típicos do gênero. O compositor, o poeta, o escritor têm uma ideia dos efeitos que pretendem atingir com seus textos – embora possa haver outros efeitos para eles inesperados: a linguagem da poesia em conjunção com outros fatores pode gerar sentidos que ninguém pode prever. Especialmente o sujeito produtor de tais gêneros textuais. No texto de Waters, uma letra de música que fala sobre perdas pessoais e sentimentais, surge o seguinte pensamento – expresso aqui em uma tradução livre: “longe de voar alto em claros céus azuis, despenco em uma espiral para o buraco no chão em que me escondo”. Um belo exemplo de um texto romântico, com o egocentrismo e a negatividade característicos da geração chamada pelos críticos literários de “Geração mal do século”.
            Diogo Silva é filho de Ogum, o orixá guerreiro de uma das religiões afro. E Diogo Silva é de fato e de direito um lutador. Além disso, Digo Silva é um dos atletas brasileiros do taekwondo e participou das olimpíadas de Londres. O filho de Ogum saiu da contenda invicto, mas sem medalha: o guerreiro tem na luta a sua principal premiação. Ele luta porque nasceu para lutar.
            Entretanto, não vivemos na pureza e na poesia da existência de um guerreiro e Diogo deixa Londres como mais um dos atletas brasileiros que não obtiveram o sucesso em suas modalidades. Não perdeu nenhuma das lutas que disputou, mas foi desclassificado por decisão dos juízes. O guerreiro volta para o Brasil para passar mais quatro anos sem que o grande público brasileiro, “fanático por jogos olímpicos”, dê por sua falta. Em 2016, no Rio de Janeiro, todos os “fãs” do Filho de Ogum estarão de volta para prestigiá-lo e torcer por sua vitória. E para reclamar de sua falta de empenho e controle emocional em caso de derrota.
            Ferido em seu orgulho de guerreiro, Diogo apresentou seu desabafo com os olhos lacrimejantes: “agora, vou voltar para o meu buraco e terei que cavar todo o caminho de volta para topo”. Não vi nas Olimpíadas até este momento um pensamento tão adequado ao que é a realidade de um atleta brasileiro que não tem o mesmo apoio dos atletas e das modalidades mais prestigiadas. E aí que surge, inesperada, porém contundente, a poesia. Um texto com um pensamento semelhante ao de Waters ganha vida em um contexto novo, gerando significados e produzindo efeitos de sentido. O eu lírico da letra de Waters e Diogo Silva compartilham o mesmo sentimento de derrota e abandono, cada um em seu lugar, com posturas distintas: um para se esconder; o outro para cavar sua saída de volta à luz.
            Não sou fã do taekwondo e não tenho interesse em assistir a competições da maioria das modalidades olímpicas, mas respeito todos aqueles que se aventuram a praticar esportes que, no Brasil, são desprestigiados pela grande mídia e por consequência pelo grande público – no qual, obviamente, me incluo. Respeito um atleta como Diogo Silva que luta por melhores condições para seu esporte, por mais financiamento, por mais atenção. Isso mesmo. Além de praticar o taekwondo, Diogo é um militante da causa do esporte. Cavar de volta para a luz significa ter que voltar a mendigar apoio e patrocínios. Se estiver no tatame em 2016, Diogo terá chegado lá como um operário do esporte, como se definiu em entrevista à ESPN: “Tem três tipos de atleta: aquele que ganha, aquele que tem patrocínio e o operário. O operário vai sempre reclamar, discute, faz greve, briga. Quem ganha medalha, não vai falar nada. Quem tem grana, também não. Então, acho que como dentro da história do nosso país, quem está ferrado vai à luta. Quem está bem de vida não vai à luta". Talvez a profundidade desse tal buraco seja bem maior do que imaginamos.
            Faço parte do grande público, mas não tenho sua postura ingênua e arrogante. Trata-se de um público que engole a conversa de que o Brasil é o país mais poderoso do planeta e que isso deve se refletir em eventos como as Olimpíadas: devemos esmagar nossos adversários porque somos brasileiros, um povo que sobrevive às adversidades, um povo forte e lutador, com nervos de aço, que não pode se esquivar diante da possibilidade do soco. Não. Somos seres humanos falíveis como todos os outros.
            Somos falíveis ao ponto de não dar a menor atenção a esportes olímpicos a não ser em época de Olimpíada e exigir que o Brasil seja belo, forte e impávido, trazendo todas as medalhas de ouro que dispute. Trata-se de uma visão que baseia todas as análises em exceções e não em regras. Quem vence sob condições adversas é exceção. Não fosse assim, todos os brasileiros teriam sucesso, poder econômico e prestígio em nossa sociedade. Neste grupo, encontramos uma minoria que veio de camadas discriminadas e desprovidas das mínimas condições de crescimento social e cultural. Reitero, portanto, o pensamento de que exceção não é regra.
            Mas o que interessa é a poesia. O canto gritado do guerreiro filho de Ogum que diz que cavará todo seu caminho de volta, porque nasceu para lutar. Quando vier à luz novamente, já será, sem dúvida e excepcionalmente, um vencedor.

Juljan Lima Palmeira
10/08/2012
Imagem:gazeta press
            



sexta-feira, 3 de agosto de 2012

As Olimpíadas,o futebol e o velho sistema


           É inevitável que não haja certa comoção com as Olimpíadas, comoção esta que se amplia quando os meios de comunicação começam a criticar negativamente os atletas brasileiros que não logram êxito em suas modalidades. No esporte, a vitória e a derrota são acontecimentos muito próximos. Quando o atleta entra na arena, ele não está sozinho. Os seus adversários treinaram tanto quanto ele para disputar os jogos. Se se chegou a uma final, já se trata de um feito espetacular. Muitos outros foram deixados para trás. O ouro, a prata ou o bronze serão decididos por detalhes ínfimos, que não desmerecem os perdedores, apesar de glorificar os vencedores. Quando os jornais dizem que este ou aquele atleta decepcionou, eles falam em termos das expectativas que se criam em torno de campeões. A coisa mais difícil do campo esportivo é ser o primeiro, porque, uma vez lá, as pessoas vão querer que você fique sempre lá – enquanto há uma centena de outros atletas que querem tirá-lo daquela posição. A diferença do esporte em relação a outras áreas é que só se chega lá por mérito verdadeiro: não há conchavos ou esquemas que fazem uma menina do Piauí ser medalhista de ouro no judô. Mas agora, nas próximas edições, se ela for menos do que ouro, já surgirão as manchetes acerca da “grande decepção”. Quem compra esse tipo de ideia é tão cego quanto quem a publica.
            O esporte amador no Brasil não tem os mesmos incentivos que em países desenvolvidos. Somente atletas de ponta como César Cielo e modalidades de destaque como o voleibol recebem patrocínios elevados e boas condições de treinamento. Milhares de outros têm que sacrificar muito de suas vidas para pelo menos chegar a uma competição internacional. Caso estes cheguem a uma conquista improvável, terão acesso a condições que deveriam ser iguais para todos. Mas não se pode falar em condições iguais no capitalismo. A lógica do sistema é muito clara: se vende, financiamos; se não vende, aquele abraço.
            Algo que também sempre surge no Brasil em momentos de Olimpíada, no calor das críticas de uma mídia financiada pelos mesmos que queriam ver seus produtos vendidos por atletas de ouro, é a comparação entre o futebol e os demais esportes. Meus caros, o futebol vende. Não só no Brasil. Gera milhões para emissoras de TV e patrocinadores. É isso que interessa em um sistema capitalista. É a mesma coisa que acontece, por exemplo, nos Estados Unidos com o Baseball, a NBA e o Superbowl. A diferença é que lá as universidades – na sua maioria privadas e de boa qualidade – se encarregam dos esportes olímpicos. Surgem as histórias de que o futebol tem mais dinheiro e que os jogadores de futebol recebem salários altíssimos. Acredito que não é o que pensam os jogadores de times como o Botafogo da Paraíba, do Treze, da Desportiva de Guarabira e de centenas de outros pequenos clubes do Brasil. A comparação inevitável no momento entre atletas olímpicos e futebolistas milionários pode ter como alvo Neymar, que está entre os jogadores mais bem pagos do mundo. Mas quem paga esse salário? São os governos? Não. Os governos estão gastando indevidamente o dinheiro do contribuinte na construção de estádios – isso é errado. Neymar está sendo mantido no Brasil através de uma parceria entre empresas privadas formadas pelo Santos Futebol Clube – time que defende – e grupos de investidores. Isso mesmo. Investidores. Espera-se retorno financeiro de jogadores como Neymar. Ou vocês acham que todos os comerciais nos quais ele aparece são de graça? As camisas dos times brasileiros atualmente são verdadeiros abadás de tantos patrocínios que nem sempre combinam com as cores do clube. Na França, país que vive uma recessão violenta, há poucas semanas, o clube de futebol Paris Saint Germain contratou o sueco Zlatan Ibrahimovic, o brasileiro Thiago Silva e o argentino Ezequiel Lavezzi por uma soma próxima aos 300 milhões de reais, segundo o portal de notícias R7. Então é hora de pararmos de pensar que futebol só é milionário aqui e para todos.
            Todos os atletas olímpicos merecem respeito e reconhecimento. Aqueles que têm menos apoio merecem ainda mais. Se eles “decepcionaram” a mídia, azar da mídia. Parabéns a todos os atletas que estão nos jogos olímpicos representando a si e a seus países, enfrentando adversidades, vencendo ou não. Apesar do que o sistema diz, competir é importante sim. Vencer ou perder é consequência de estar na luta.

Juljan Lima Palmeira
04/08/2012